Partindo da condição transfronteiriça de Vila Nova de Cerveira, na sua XXIV edição a iniciativa interpela “Territórios sem Fronteira”
O evento de arte contemporânea mais antigo do país está de regresso para a sua XXIV edição. De 18 de julho a 30 de dezembro, a Bienal Internacional de Arte de Cerveira (BIAC) propõe, através do mote “Territórios sem Fronteira”, uma reflexão profunda em torno do conceito de fronteira – nas suas dimensões geográfica, social, mental e política –, explorando a forma como este se manifesta no presente e nos processos de criação artística.
Na programação deste ano destaca-se a exposição “Luso Lunar” em homenagem a Silvestre Pestana. Figura incontornável e pioneira da arte contemporânea nacional, o artista detém o estatuto singular de ser um dos raros nomes a marcar presença em todas as edições da Bienal de Cerveira desde a sua fundação, em 1978.
Com curadoria de Mafalda Santos, diretora artística, e João Ribas, diretor executivo do Roy and Edna Disney CalArts Theater (REDCAT), em Los Angeles, a exposição propõe uma leitura transversal de um percurso que cruza diferentes disciplinas e linguagens – do analógico ao tecnológico, do poético ao político –, reunindo obras produzidas desde o início da década de 1970 até à atualidade. Em destaque estará a emblemática escultura em néon Rio: Água e Sangue (2003), apresentada originalmente na XII Bienal, que sintetiza a relação nuclear entre corpo, linguagem e território na obra do artista.
“A exposição evidencia a consistência e radicalidade de um percurso pioneiro no contexto português”, revela Mafalda Santos, adiantando que a homenagem a Silvestre Pestana “se afirma como um momento de reconhecimento e recontextualização crítica de uma obra que continua a interpelar o presente e a projetar-se no futuro”.
Uma programação multidimensional num espaço transfronteiriço
Partindo da identidade transfronteiriça de Vila Nova de Cerveira, a BIAC assume-se, em 2026, como um espaço de diálogo internacional e de experimentação transdisciplinar. Integrada no tema “Territórios sem Fronteira”, destaque também para a exposição que resulta das obras selecionadas do XXIV Concurso Internacional e que propõe uma leitura da fronteira enquanto espaço expandido – não apenas geográfico, mas também simbólico, político, corporal e ecológico.
Depois de ter registado um recorde de participações no XXIV Concurso Internacional – com cerca de 900 candidaturas e 1.261 obras de artistas provenientes de 52 países –, a exposição reúne 36 artistas de 14 nacionalidades. As obras selecionadas exploram a fronteira como lugar de passagem, tensão, memória e transformação, convocando questões como a migração, o pós-colonialismo, a identidade, o território e as relações entre o físico e o virtual.
Enquanto outro dos núcleos centrais desta edição, sublinha-se a exposição “¿De qué casa eres?”. Contando com curadoria de Mafalda Santos e Manuel Santos Maia o projeto explora a ideia de diáspora e deslocação através de 46 artistas representados de 16 países. A mostra cruza diversas disciplinas, abordando temas como migração, memória e identidade pós-colonial.
Como habitualmente, a programação da Bienal Internacional de Arte de Cerveira será complementada com outras atividades e projetos, como um Ciclo de Conferências Internacionais, oficinas, residências artísticas, entre outros momentos que serão divulgados em breve.



