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Terça-feira, 26 Janeiro, 2021
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António Castro: Um marco na história mundial da engenharia

Contamos-lhe a história e os feitos de um português mundo fora. Engenheiro civil, é vice-presidente da Câmara do Comercio Polónia-Portugal, director de uma das 100 maiores obras de engenharia portuguesas no mundo no século XX, e ainda comendador, condecorado recentemente pelo presidente da República Portuguesa com a Ordem de Mérito Civil.

Chama-se António Manuel Oliveira Soares de Castro, tem 57 anos e apesar de ter nascido no Porto e trabalhar longe da terra natal, traz Caminha e o Alto Minho no coração.

“Eu nasci no Porto mas a família por parte da minha mãe é de Viana. Desde muito pequenino sempre passei férias nesta região e já adulto, logo que tive hipóteses, comprei aqui uma casa. Já lá vão alguns anos, foi em 1985, e desde essa altura Caminha tem sido o local das minhas férias. Aliás para mim e para as minhas filhas, férias é Caminha. É aqui que temos e fazemos aquilo que gostamos, nomeadamente ski de água, windsurf, caminhar no monte, andar de mota, estar na praça a beber café no Café Central ou passear em Moledo. É de facto muito forte esta minha ligação a Caminha e à região”.

A ligação ao pequeno Alto Minho de um homem com uma grande carreira, construída além fronteiras. Soares da Costa, Mota-Engil e mais recentemente a Mertifer, são empresas que constam do currículo de António Castro.

“Eu comecei a trabalhar numa firma do Porto, na altura considerada a maior firma portuguesa, a Soares da Costa. Passados dois ou três anos fui para África onde consegui atingir o lugar de responsável por toda a África da Soares da Costa. Mais tarde, isto em 95, fui desafiado para ir abrir os mercados da Europa Central. Na altura esses países acabavam de sair da economia socialista, havia grandes perspectivas de que iriam ter um grande desenvolvimento, o que de resto veio a acontecer, e pela Mota-Engil fui então como pioneiro abrir esses mercados. Isto começou como lhe disse em 95 e a partir daí fiquei extraordinariamente ligado àquela área da Europa, onde tenho desenvolvido a minha vida profissional e onde hoje em dia estou ligado à Martifer, a fazer parques eólicos. Enquanto estive na Mota-Engil fizemos grandes obras”, recorda.

De entre essas grandes obras, surge aquela que veio a ser considerada uma das 100 maiores obras de engenharia portuguesa no mundo no século XX.

“Uma das obras em que estive directamente envolvido como líder do projecto, foi considerada pela Ordem dos Engenheiros, como uma das maiores obras de engenharia portuguesa do século XX no exterior. Foi um prémio que me foi atribuído e com o qual fiquei extremamente contente como é obvio”.

António Castro explica a grandiosidade da obra.

“São 150 Km de auto-estrada com 150 pontes das quais 100 delas estavam a ser construídas ao mesmo tempo. É uma obra gigante em que participaram 1500 pessoas de 20 nacionalidades diferentes. Foi uma obra que marcou mesmo na Polónia”, garante.

Depois de uma obra marcante na Mota-Engil, seguiu-se um novo feito histórico na Martifer Renewables, a construção de um parque eólico na Polónia.

“Mais tarde fui para a Martifer Renewables, e fui o responsável pela construção do primeiro parque eólico de uma empresa portuguesa na Polónia. É uma área de negócios muito interessante neste momento naquele país, que está a ter um forte desenvolvimento e nós conseguimos fazer o primeiro parque eólico no sul da Polónia. Isto já foi em 2010 e neste momento já temos uma quantidade grande de parques em desenvolvimento e em construção”.

Por tudo isto este engenheiro português, que ama Caminha e o Alto Minho, foi condecorado pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

“Trata-se de um prémio de mérito civil e profissional e portanto acho que tenho boas razões para estar contente. A iniciativa partiu do sr. embaixador português na Polónia e foi aprovado pelo sr. Presidente da República. Sinceramente não sei qual foi a substanciação que o sr. embaixador encontrou. Estou há muitos anos na Polónia e também sou vice-presidente da Câmara do Comércio. Portugal na Polónia tem um peso importante em termos de volume de investimento. Embora sejamos um país pequenino, temo grandes investimentos em termos globais na Polónia. Somos lideres como empresas de distribuição como a Gerónimo Martins, o Banco Millenium, também um banco de referência, a Mota-Engil e a Martifer. Tudo empresas portuguesas com um peso muito importante na economia polaca”.

Referindo-se à Câmara do Comércio Portugal-Polónia, António Castro considera-a “a maior das mais pequenas”. A trabalhar há cerca de 15 anos na Polónia, uma das preocupações deste engenheiro civil tem sido “dignificar, da melhor forma possível, Portugal, os portugueses e as empresas para quem tenho trabalhado. Acho que a imagem que Portugal e as empresas portuguesas têm na Polónia é muito forte e muito positiva. É um prémio que quero partilhar com Portugal, com os portugueses e com as empresas que lá estão. É evidente que sendo eu um quadro, tudo o que consigo é através das empresas. São elas que tem tido a capacidade e a visão para investir fora de Portugal”, revela.

Apesar do reconhecimento e de dar cartas no exterior, António Castro não se considera um emigrante.

“Uma pessoa quando está no exterior orgulha-se de ser português e qualquer sucesso, mesmo das empresas para as quais não trabalhamos, é para nós muito positivo. É completamente diferente quando se está no exterior. Na pólonia, e isso é um facto, os representantes das empresas portuguesas têm todos um bom relacionamento entre eles. Falamos muito entre nós, temos uma optima cooperação e entreajuda e isso é muito importante para o sucesso que as empresas têm tido na Polónia. Mas não, não me sinto um emigrante. Primeiro porque sou português, gosto muito de vir a Portugal e venho com alguma frequência. Depois como praticamente sempre trabalhei fora, consigo ambientar-me muito bem à cultura local. Costumamos dizer que na Polónia somos polacos e isto tem que ser visto assim porque temos de aceitar e compreender que as culturas são diferentes. Já trabalhei em muito sítios diferentes, desde a África à Ásia, passando pela Europa Central e sempre me adaptei muito bem as culturas diferentes. Por isso a palavra emigrante não me soa muito bem” refere.

Cidadão do mundo, é na Polônia que este engenheiro português tem incrementado a sua carreira, uma terra que distingue de Portugal pelo clima.

“A grande diferença entre viver na Pólonia e em Portugal é o clima. Isso é o que mais pesa porque há dois tipo de inverno: o inverno muito longo e o inverno mais ou menos curto mas muito duro em termos de temperatura. Este ano por exemplo tivemos um inverno relativamente curto mas num período de 15 dias, e eu vivo em Cracóvia, os tremómetros registaram 30 graus negativos. Imagine o que é uma pessoa sair à rua e ao fim de 30 segundos ter os jeans congelados. Isso obriga a alguma adaptação, e ao fim de alguns anos começa a ser extraordinariamente duro passar os invernos. Nós portugueses não dizemos que estamos há 10 ou 15 anos na Polónia, dizemos que temos 10 ou 15 invernos de Polónia. Essa é efectivamente a grande diferença. O ponto comum é a religião e depois pequenas diferenças culturais”.

Apesar das diferenças a Polónia tem com Portugal uma boa relação, sobretudo no que toca à gastronomia.

“Há um entendimento bastante bom entre portugueses e polacos, eles vêm muito a Portugal e gostam muito da nossa comida. Eu até já ouvi falar polaco aqui em Caminha. Ainda no outro dia estava a fazer compras e estavam polacos num dos supermercados”.

Conhecedor do que é a vida lá fora e cá dentro, com uma já longa carreira internacional, António Castro é um exemplo de sucesso para os jovens que agora se lançam no mundo do trabalho. Este engenheiro defende que apesar de o exterior oferecer boas oportunidades, Portugal devia criar mais condições à fixação das suas gentes.

“Um país como Portugal, que tem gasto tanto dinheiro na formação dos jovens, se calhar devia criar condições para que os jovens em primeiro lugar pudessem ficar aqui. Eu fui para o exterior com 27 anos e não me arrependo. Tive oportunidade de fazer coisas extraordinariamente interessantes que, tenho a certeza, se tivesse ficado em Portugal não tinha feito, até pela própria dimensão do país. Mas acho que hoje em dia e com a globalização, os jovens têm de estar preparados para trabalhar seja onde fôr. As oportunidades variam e as pessoas têm de estar preparadas para trabalhar lá fora. São oportunidades que os jovens devem agarrar enquanto são novos para mais tarde puderem optar por trabalharem fora ou em Portugal. O que é importante é que os jovens consigam trabalhar na profissão
que escolheram. Se fôr em Portugal óptimo, mas se for no estrangeiro também não é mau”.

No caso de António Castro o estrangeiro não correu nada mal, e talvez seja por isso que este engenheiro civil quer permanecer e experimentar um pouco mais do globo terrestre antes de regressar a Portugal.

“Eu gostava de terminar a minha carreira em Portugal, mas ainda gostava de ir experimentar a América Latina que apenas conheço em termos turísticos e não em termos profissionais. Depois disso sim gostava claramente de terminar a carreira aqui que foi onde comecei. Vamos ver, a vida é para viver um dia de cada vez e enquanto houver projectos interessantes no exterior vamos fazê-los”.

E enquanto permanece no exterior, entre idas e vindas a Portugal, António Manuel Oliveira Soares de Castro, comendador da Ordem de Mérito, director de uma das maiores obras portuguesas no mundo do século XX, leva com ele debaixo do braço um maço de jornais da sua pequena terra de eleição.

“Eu sou assinante do Caminhense há muitos, muitos anos. É um jornal que faz a ligação a quem está fora. É um dos meus companheiro nas muitas viagens de avião que faço e gosto muito de o ler”.

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