Estado quer aprofundar pesquisa arqueológica subaquática no Norte

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O Estado quer aprofundar a pesquisa arqueológica subaquática no Norte do país, uma área ainda “pouco explorada”, revelou hoje à Lusa o coordenador do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS), do instituto do Património Cultural.

“A arqueologia subaquática do norte do país está pouco trabalhada. Nós queremos mudar isso. Queremos, aos poucos, ir criando uma rede de partes interessadas – desde as câmaras municipais, associações, museus, outros grupos de investigação, universidades – no património para ir ultrapassando esta lacuna que temos no conhecimento do património cultural subaquático”, explicou José Bettencourt, que esta semana conclui uma missão de pesquisa em Viana do Castelo.

A intenção é que este aprofundamento da arqueologia subaquática e náutica seja feito “em parceria com as partes interessadas locais”, sublinhou.

“Não é só vir cá e depois ir embora. É vir cá e deixar alguma coisa”, observou.

O coordenador afirmou que o facto de Norte ter sido “pouco trabalhado” se deve ao “mar difícil e inconstante”, que dificulta a prática do mergulho e a realização de trabalhos ecológicos subaquáticos.

Na missão em curso em Viana do Castelo, a equipa tinha um “objetivo central” de documentar a sétima piroga (construída a partir de um único tronco de árvore e com mais de cinco metros de comprimento) que apareceu no Rio Lima.

O trabalho envolveu a “documentação exaustiva dos vários fragmentos” e “obter todos os dados necessários para caracterizar a forma como a piroga foi construída e as suas características morfológicas”, referiu José Bettencourt.

Foi ainda feita “uma análise do seu estado de conservação para definir a melhor estratégia a implementar no futuro para garantir a sua preservação a longo prazo”, disse José Bettencourt.

Por outro lado, a missão procura “verificar alguns alvos subaquáticos de interesse arqueológico”, estando concentrada nos vestígios do navio México, que naufragou em 1901.

A recolha de informação ligada ao mar foi ainda feita em terra, tendo sido registados várias pinturas de ex-votos, ou seja, pagamentos de promessas em momentos de aflição muito comuns nas comunidades costeiras, explicou.

“A nossa abordagem é muito holística, é muito geral. Não estamos só interessados nos sítios subaquáticos, nem nos achados arqueológicas, materiais. Também estamos interessados nesta dimensão imaterial”, disse José Betencourt.

Relativamente à missão desenvolvida em Viana do Castelo, o coordenador esclareceu que o trabalho desenvolvido “tem essencialmente como objetivo ter uma melhor gestão do património arqueológico e, por isso, nunca mais não tem fim”.

“É o primeiro passo de um trabalho que se poderá prolongar nos próximos anos ou décadas. Não temos um fim definido, porque não há um objetivo fechado. Há um objetivo muito amplo de como podemos gerir melhor, valorizar e devolver à sociedade esta história marítima”, descreveu.

Os trabalhos arqueológicos da paisagem cultural marítima e subaquática de Viana do Castelo foram realizados pelo CNANS e pela Unidade Orgânica de Arqueologia (UOA-CMVC) da Câmara Municipal de Viana do Castelo.

ACG // MAG

Lusa/fim

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