Se outro mérito não tiver, André Claro Ventura já conseguiu o impensável: uniu num mesmo clamor Catarina Martins e Cecília Meireles, Assunção Cristas e Mariana Mortágua, Paulo Portas e Francisco Louçã (O Miguel deve estar-se a rir a bandeiras despregadas), Marques Mendes e Rui Rio, Isaltino Morais e Ferro Rodrigues, Carlos Moedas e Fernando Medina, Santos Silva e Francisco Assis.
Descobriram agora estes Democratas e mais umas centenas de manifestantes, daqueles que assinam manifestos, a música do Rui Veloso, posta a rodar pelo DJ Tozé Seguro: “muito mais é o que nos une que aquilo que nos separa”. E esse muito mais é André, Claro, o Ventura.
E descobriram estes Democratas- enquanto antes uns eram pela Democracia Popular, outros pela Democracia-Cristã, outros pela Social-Democracia- que são todos Democratas-Liberais, o que em si é uma contradição nos seus próprios termos.
O que estes agora Democratas-Liberais apregoam, é a Democracia que nada tem de Liberal, é a Democracia que limita e coarta o poder do voto, dando peso à opinião das minorias, à comunicação social, às manifestações na rua, aos sindicatos, enfim. Afinal o que estes democratas querem é que o voto popular só sirva para os manter no poder.
Quando são maioritários, as maiorias podem tudo, quando são minoritários, ai o direito das minorias, ai os limites, ai as linhas vermelhas. Mas aceitemos o conceito da Democracia-Liberal como Regime.
Nada na Democracia – como a conhecemos nos últimos 50 anos- nem a democracia-liberal que agora descobriram os derrotados das eleições, autoriza seja que minoria for ou mesmo qualquer maioria, a catalogar de Democrata ou não, este ou aquele, pessoa ou partido, a não ser que essa pessoa ou partido atente contra os direitos, liberdades e garantias previstos na constituição e por isso seja julgado e condenado.
Vale a pena perguntar a todos esses manifestantes, assinantes de manifestos, numa unanimidade digna de Estaline ou de Hitler, onde estiveram nos últimos 50 anos, quando a regionalização prevista na constituição nunca foi cumprida?
Vale a pena perguntar, porque nunca se uniram estes democratas-liberais para criar um círculo de compensação nacional que dê voz no parlamento a todos aqueles que votam em partidos pequenos nos distritos do interior?
Vale a pena perguntar porque nada fizeram nestes 50 anos para que o voto no interior e na emigração seja realmente universal?
Vale a pena perguntar porque só fazem manifestos sobre a justiça, quando o Ministério Público ataca uma das suas castas?
O desbragado Sérgio Sousa Pinto, até já disse que só um atrasado mental votará André Ventura. As fatiotas e os bons barbeiros só tratam a imagem, não escondem o que vai na mente destes que agora deixaram de ser comunistas, trotskistas, socialistas, social-democratas, democratas-cristãos ou liberais para manter tudo como está, parecendo eles sim o Salazar: tudo está bem assim e não pode ser de outra maneira.
De que tem mais medo todos estes, agora, “Segurados”?
-Dum Presidente da República que não controlem ou que o próximo Primeiro-Ministro não pertença à sua elite de Castas e Cucos?
Carlos Novais de Araújo
26 de Janeiro de 2026





DEMOCRATAS-LIBERAIS DE TODAS AS NATAS, UNI-VOS!
SIM! Mas só porque a democracia, a liberdade e os nossos valores civico-culturais, gritam solidários por socorro! Grande povo!