“Vendo-os assim tão pertinho,
A Galiza mail’o o Minho
São como dois namorados
Que o rio traz separados
Quasi desde o nascimento.
Deixalos, pois, namorar
Já que os pais para casar
Lhes não dão consentimento.”
João Verde, poeta Monçanense
Quem tiver passado por Valença e Tui neste fim de semana, nem se terá apercebido que lá se realizou o I Congresso Internacional de Educação que reuniu muitas centenas de professores do Vale do Minho, beneficiários por exemplo, de três brilhantes intervenções, de Sampaio da Nóvoa, Luísa Cortesão e Juan Manuel Moreno.
Enquanto o Governo Central de Madrid se fez representar por um Secretário de Estado, além das autoridades regionais galegas, João Costa enviou uma Sub-Diretora Geral, isso sim, bem industriada quanto aos elogios a fazer ao “nosso ministro”. Responsáveis políticos autárquicos da área da educação, salvo a honrosa exceção dos coorganizadores, passaram por lá fugazmente para sair na fotografia institucional, a pairar sobre a leveza da espuma dos dias, dispensando qualquer aprendizagem essencial tal como a gritante ausência de diretores de Agrupamentos escolares também mostrou.
Não admira por isso que a comunicação social nacional, como a regional ou local, quase tenha ignorado este evento, quando cada vez mais se limita a seguir os guiões das agendas dos ministros e certos autarcas, e reproduz as notas de imprensa, agora modernamente geridas nos facebooks e twitters, como se nelas se esgotasse a notícia.
A pouco mais de 1 ano de se cumprirem 50 anos de 25 de Abril, o Estado, a Academia, a Igreja e a Comunicação Social, como as Águas que procuram sempre o seu leito original, voltaram ao que sempre foram; fazendo pequenas mudanças aparentes para que tudo fique na mesma.
No Congresso, na forma, como nos conteúdos, com as 3 raras exceções antes referidas, esteve no seu esplendor o ditame das elites que dominam as organizações como também a “abnegação” do Povo, neste caso dos educadores e professores que dão aulas em Dem, Covas, Tangil, Caldelas, Tomiño ou A Guarda.
Quanto à forma, durante mais de 12 horas de intervenções recheadas de autoelogios e elogios cruzados entre pares, nem 1 Minuto foi proporcionado para qualquer intervenção, pergunta ou questão, ser colocada pelas centenas de educadores e professores presentes. Sobre participação e partilha, estamos falados.
Durante 12 horas pregaram, INCLUSÃO e PARTICIPAÇÃO mas praticaram DIRIGISMO e MONÓLOGOS, esquecendo que nem todos são Sampaio da Nóvoa ou Luísa Cortesão para dar AULAS MAGISTRAIS. Acresce que deram ainda esses “pensadores” fraca imagem de organização e dos seus métodos de trabalho, completamente incapazes de cumprir e fazer cumprir, horários. Que bem lhes faria voltar a dar aulas de 50 minutos com uma turma de 28 alunos de 15 anos.
Quanto aos conteúdos, não foi possível disfarçar, a doutrina da homogeneização, normalização e equalização das “Aprendizagens Essenciais”, eufemisticamente designada de Inclusão, tudo a bem da obtenção de 100% de aproveitamento, para ser atingido um Perfil do Aluno à Saída da escolaridade obrigatória, justificado nos ditames da OCDE e nas diretivas europeias, como antes o era nos Valores da Igreja e do Estado Novo ou do Franquismo.
E por isso, nem uma intervenção sindical fez parte da agenda, se bem os intervenientes portugueses do sistema, fizessem sempre questão de sublinhar que para tudo as “associações profissionais” foram ouvidas. E sobre a luta dos professores, apenas Sampaio da Nóvoa teve a coragem de a referir. Participação, partilha? Estamos falados.
A novidade é que, estes DITAMES têm agora origem nas esquerdas que há muito deixaram de ser “revolucionárias”, para hoje serem mais Conservadoras que as direitas, porque simplesmente querem CONSERVAR o seu estatuto.
Se isto se passa na Educação, é porque esse Estado que hoje nos controla e Enforma sabe que é Enformando, metendo na forma as crianças e adolescentes de hoje, que terá sucesso amanhã, na reprodução do sistema atual de abnegação, em que “Cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas”.
Por isso, esse estado, supostamente Laico, trata a Igreja e refugia-se na Concordata com mais temor e submissão do que alguma vez o fizeram Franco ou Salazar. Os socialistas que nos (des)governam ficam quedos e mudos sobre a Pedofilia na Igreja, como sobre os financiamentos de milhões, mais a comissão do Arquiteto Salgado, nas jornadas mundiais da juventude.
E para não destoar do Estado Novo, também na política pura e dura, onde Salazar confundia a Assembleia Nacional com a União Nacional, também António Costa confunde o Governo com o partido socialista. E com o beneplácito de Marcelo, que fala muito, mas faz pouco, como antes Américo Tomás que, tinha apesar de tudo a vantagem, de não nos encharcar com um diluvio de opiniões, defendendo tudo e o seu contrário.
É o que se vê por exemplo, no projeto da Habitação, no qual, a Legalmente Obrigatória Consulta Pública é limitada a 10 dias e com base apenas num Power Point feito por um qualquer assessor daqueles com 22 anos e larga experiência na JS.
Em paralelo, nessa promiscuidade endémica, a Ministra da Habitação, além dos tempos de antena em qualquer momento que haja uma câmara de filmar e um microfone, traveste-se de Dirigente socialista e anda pelo país a doutrinar as concelhias e distritais, em sessões destinadas a “militantes e simpatizantes” como se os 25% de eleitores que realmente votaram PS, fossem o Povo português. Sobre participação e partilha, estamos falados.
Na Educação como na Política, na Igreja como na Justiça, na Economia como na Saúde, como disse o Professor Sampaio da Nóvoa precisamos de criar “IMPACTO” através da “COLA-BORA-ÇÃO”, na Pedagogia, mas na nossa modesta opinião, precisamos ainda mais de, com paciência de chinês e ANDROGOGIA, Implantar o valor da CO-LABOR-AÇÃO, nas elites dos sistemas Educativo e Político deste país.
Camposancos, 12 de Março, 2023






