ENVC: trabalhadores contestam processo de subconcessão da empresa

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Os trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo acusaram hoje o ministro da Defesa de “coagir” o júri do concurso da subconcessão da empresa, por Aguiar Branco já ter comentado a proposta apresentada pela Martifer.

O júri do concurso, que prevê a subconcessão até 31 de Março de 2031, é presidido pelo procurador-geral adjunto João Cabral Tavares e a decisão final, já apenas com os portugueses da Martifer na corrida, deverá ser conhecida até final da próxima semana. Nesta altura, apenas a proposta da Martifer foi formalmente admitida ao concurso, tendo ainda de ser avaliada pelo júri.

Recordo que o ministro José Pedro Aguiar Branco admitiu, no dia de ontem, estar “satisfeito por ter aparecido uma empresa portuguesa com a idoneidade da Martifer para tentar salvar a reparação e construção naval em Viana do Castelo – são palavras do Ministro. Mas ainda não há garantias sobre a manutenção dos actuais 620 postos de trabalho dos Estaleiros Navais de Viana.

Várias centenas de pessoas, entre actuais e antigos operários, familiares e população, manifestaram-se esta manhã, pelas ruas da capital do distrito, com palavras de ordem e críticas ao ministro da Defesa Nacional e aos deputados do PSD e CDS-PP eleitos pelo distrito.

Num discurso realizado ao final da manhã na praça principal de Viana do Castelo, o coordenador da comissão de trabalhadores acusou o Governo de estar a fazer “um cozinhado” com a empresa e o grupo privado. António Costa afirmou que o Governo quer vender os Estaleiros ao “desbarato”, garantindo que os trabalhadores “não aceitam” este processo.

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, integrou a manifestação, tendo acusado o Governo de “delapidar o património público”, entregando a empresa a privados quando “não se sabe sequer qual o emprego que vai manter”.

Para esclarecer estas e outras dúvidas, o deputado do CDS-PP eleito por Viana do Castelo, Abel Baptista, entregou hoje um requerimento na Assembleia da República dirigido ao Ministro da Defesa.

Recordo que o grupo português Martifer e uma sociedade participada por um empresário russo do sector naval foram os únicos a concorrer à subconcessão dos Estaleiros Navais de Viana.

A sociedade de capitais russos AK foi entretanto excluída, por decisão do júri, por não cumprir os requisitos em temos de garantias bancárias.

Já o grupo português Martifer, que agora é o único na corrida, detém em Aveiro os estaleiros da NavalRia e a administração já tinha admitido anteriormente o interesse na subconcessão dos Estaleiros de Viana.

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