Em 13 Julho, 2018 Por Em Caminha

XX edição da Arte na Leira abre amanhã e homenageia “Vilarinho de Covas”

Um painel de azulejos, de grandes dimensões e em alto relevo, foi a forma escolhida pelo pintor Mário Rocha como homenagem a um velho amigo, um exímio tocador de concertina, conhecido como o “Vilarinho de Covas”. A obra pode ser admirada, ao lado de vários outros exemplares de múltiplas disciplinas artísticas, na Arte na Leira, a partir de amanhã. Esta é a XX edição de um evento que juntou, pela primeira vez há duas décadas, no coração da Serra d’Arga, mundos de coexistência improvável: a ruralidade mais vincada e agreste e a arte moderna. O sucesso foi imediato e as sucessivas edições, sempre acarinhadas por numeroso público, são prova disso mesmo.

Pintura, escultura, cerâmica, desenho, joalharia são, entre outras, as áreas artísticas representadas nesta XX edição da Arte na Leira, que se realiza de 14 de julho a 19 de agosto. O certame é inaugurado este sábado, pelas 18h30, na Casa do Marco, em Arga de Baixo, Caminha. O programa de abertura, além da visita às zonas de exposição, inclui um conjunto de atividades de animação e fogo de artifício. A mostra é da responsabilidade da Fundação Mário Rocha e conta com o apoio da Câmara de Caminha.

Uma das peças que certamente atrairá a atenção dos visitantes é a que presta homenagem ao músico Nelson Vilarinho (Vilarinho de Covas). Estará patente na parte exterior da Casa do Marco, sendo composta por várias dezenas de azulejos, em alto relevo, pintados pelo próprio Mário Rocha.

“Vilarinho de Covas” era um homem da região, sendo considerado um dos melhores tocadores de concertina do Alto Minho. Amigo de Pedro Homem de Melo, acompanhou o poeta por diversas vezes e levou o som da sua concertina além-fronteiras.

Mas a própria Arte na Leira está também de parabéns, completando 20 anos de mostras ininterruptas. Um sucesso que se explica pelas caraterísticas do seu promotor e pela qualidade que sempre imprimiu ao evento. “Há 20 anos, a ideia de levar a arte moderna para o coração da Serra d’Arga era algo que só podia ocorrer aos artistas! Absurdo, disparatado, excêntrico – terão pensado alguns. Estes descrentes – e não terão sido poucos – se minimamente conhecedores da Serra d’Arga, sabiam que estava em causa (como ainda está) um território rude, fortemente marcado pela ruralidade, inexplorado pelo que a ‘dita´ civilização tem de pior, onde as gentes vivem em comunidade, conhecem todos os vizinhos, conservam hábitos ancestrais, cultivando a terra ou criando o gado”, refere Miguel Alves. O presidente acrescenta: “Não posso condenar os críticos, mas tenho de enaltecer a visão estratégica de quem teve a ideia e a conseguiu concretizar. Foi um artista, é verdade que sim, o pintor Mário Rocha. Vinte anos depois, a Arte na Leira continua, cada vez melhor, cada vez mais forte, e já ninguém duvida da sua continuidade, nem questiona a pertinência de uma tal mistura improvável”.

Na opinião do presidente da Câmara de Caminha, o segredo do sucesso do evento deve-se, em boa parte, à qualidade que teve, desde o início, atraindo artistas de renome, que partilharam a Leira da Casa do Marco com outros menos conhecidos, com escolas. Uma fórmula vencedora, despida de preconceitos, onde a arrogância de certas elites culturais não encontrou eco e até conseguiu derrubar barreiras. “É minha convicção, porém, que não estaríamos hoje a contar a história da Arte da Leira, pelo menos como ela acabou por acontecer, se a população local não tivesse acarinhado o evento desde a primeira hora”.

Ao assinalar duas décadas, conclui Miguel Alves, “o projeto Arte na Leira está hoje completamente consolidado, tem condições para crescer e o seu mentor, Mário Rocha, saberá abrir novos caminhos. O concelho orgulha-se deste evento, um evento que prestigia a nossa oferta cultural, que alegra a população serrana e que faz da nossa Serra d’Arga uma montra ainda mais preciosa”.

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Rui Lopes