Em 8 Agosto, 2018 Por Em Caminha, Distrito

Vila Praia de Âncora Capital do Espadarte até 19 de agosto

Arranca amanhã em Vila Praia de Âncora, a V edição do Festival Gastronómico do Bife do Espadarte, evento que irá decorrer no

Campo do Castelo.

Organizado pela empresa Baleeira Pesca, a edição 2018 do certame conta com algumas novidades, nomeadamente uma nova forma de degustar esta espécie que é já uma referência no concelho, graças a realização do Festival.

 

António Cunha, armador de Vila Praia de Âncora, em colaboração com a esposa, Alexandra Cunha e os filhos, são os grandes responsáveis pela organização deste certame que de ano para ano tem vindo a crescer quer em número de pratos que são apresentados, quer em visitantes.

No ano passado e segundo as contas apresentadas pelo armador, terão passado pela tenda instalada no Campo do Castelo, com vista privilegiada sobre o Atlântico, mais de 10 mil visitantes.

Mas este ano António Cunha quer ir mais longe e, à semelhança das edições anteriores, quer ver o número de visitantes aumentado.

Isto mesmo foi revelado por António Cunha ao Jornal C que considera o seu festival um roteiro obrigatório a norte, para quem gosta da boa gastronomia.

“Eu penso que este festival já é uma referência a nível nacional. Temos visitantes que fazem questão de vir aqui todos os anos por esta altura porque já sabem que em Vila Praia de Âncora se come bom espadarte”, refere.

Quando há 5 anos atrás idealizou a realização deste festival, António Cunha tinha dois grandes propósitos: por um lado dar a conhecer uma espécie extremamente rica mas ainda desconhecida dos portugueses, e por outro promover a terra que o viu nascer e onde estão as suas raízes. O objetivo está praticamente alcançado e só falta mesmo que Vila Praia de Âncora seja definitivamente conhecida como a Capital do Espadarte.

“Julgo que o concelho em geral e Vila Praia de Âncora em particular só tinham a ganhar com isso. Nós vemos outros concelhos que não têm metade da beleza do nosso a ganharem pontos porque apresentam o que de melhor se faz nos seus territórios. Porque é que nós também não podemos fazer o mesmo e criar riqueza local? O ideal é que as pessoas que se deslocam ao concelho e a Vila Praia de Âncora, possam comer espadarte independentemente da altura do ano que nos visitem. Isso já é possível porque alguns restaurantes já perceberam a importância deste produto e já o incluíram nas suas ementas., mas temos que crescer ainda mais. Olhe por exemplo há uma empresa de Viana do Castelo de distribuição de peixe congelado que reuniu recentemente comigo e me disse que estava interessada em comercializar espadarte. O dono dessa empresa disse-me inclusive que no norte já se está a comercializar muito espadarte e eu não tenho dúvidas que o Festival foi um grande motor para esse crescimento, foi um click para as pessoas começarem a procurar e a consumir esta espécie, aliás não tenho dúvidas disso”.

O espadarte é uma espécie muito valorizada principalmente em países como a Itália e a Espanha, locais onde este peixe já atinge valores consideráveis como explica António Cunha.

“É um peixe que na lota e no mercado já está a atingir um valor bastante razoável e o preço tem vindo a subir”.

Mas esta subida de preço não se vai refletir nos valores que vão ser praticados no Festival. António Cunha garante que os preços das edições anteriores são para manter, dando assim possibilidade a todas as pessoas poderem degustar um produto de excelência a preços convidativos.

“Nós vamos manter os mesmos preços do ano passado, ou seja a 6 euros, e vamos continuar a apostar muito na qualidade. Queremos que as pessoas venham a primeira vez e fiquem com vontade de voltar e isso só é possível se nós oferecermos qualidade e bons preços. Para nós organização é muito gratificante quando as pessoas nos vêm dizer que vão comer ao Festival quase todos os dias. Isto só acontece porque temos bom preço, qualidade e um serviço de excelência. Essa é uma das medalhas que metemos ao peito”, sublinha.

À semelhança das edições anteriores o Festival vai apresentar este ano uma nova forma de consumir este produto. Trata-se do arroz de espadarte como revela António Cunha.

“Nós temos tido a preocupação de todos os anos apresentar às pessoas uma novidade e este ano não vai ser diferente. A surpresa vai ser um excelente arroz de espadarte, uma receita criada pela minha esposa que já tivemos oportunidade de testar e testemunhar a sua excelência. Aconselho todas as pessoas a provarem porque é de facto uma maravilha”.

Feito pela gente da terra e com matéria prima da terra, esta é outra das mais valias deste festival gastronómico como defende António Cunha.

“Este evento é sem dúvida uma mais valia não só para Vila Praia de Âncora, mas também para o concelho e quem dera a outros locais terem um Festival como este, feito pela gente da terra e com a matéria prima da nossa terra. Temos o grande privilégio de sermos o concelho mais bonito de Portugal e de termos um festival desta natureza que as pessoas ainda não valorizam a 100 por cento mas que mais tarde ou mais cedo vão perceber a sua importância. Penso que está na hora de se olhar para este Festival com outros olhos e insisto na importância de se começar a ver Vila Praia de Âncora como a Capital do Espadarte. As pessoas andam um pouco distraídas”, atira.

Aliado ao Espadarte, o Festival faz também a promoção de produtos locais como seja por exemplo a broa, o arroz doce, o queijo, entre outros.

“Procuramos sempre que possível trabalhar com os produtores locais e promover o que de bom se faz na nossa terra”.

O Festival do Bife do espadarte é organizado pela Baleeira Pescas, a empresa do Armador António Cunha que possuiu uma frota composta por 4 embarcações e uma 5ª com bandeira espanhola. Tal como em tudo na sua vida, este armador que começou com um barquinho de pequenas dimensões a pescar no mar de Vila Praia de Âncora, não pretende ficar por aqui e neste momento prepara-se para adquirir uma nova embarcação ou quem sabe até duas.

“Estamos com ideias de proximamente, mais mês menos mês, aumentar a nossa frota. Estamos a pensar adquirir mais uma ou duas embarcações, vamos ver como corre a questão do financiamento. Uma coisa temos a certeza, queremos crescer”.

O Espadarte que vai ser consumido no Festival foi capturado ao largo dos Açores porque é por onde ele anda nesta altura do ano.

“Neste momento aqui na nossa costa, mais encostado ao continente não há esta espécie, só lá para novembro. O espadarte é como as aves de arribação, anda a correr o Atlântico todo e neste momento anda por fora dos Açores, quase encostado ao Canadá e é lá que os nossos barcos se encontram neste momento a pescar”, explica.

De 9 a 19 de agosto todos os caminhos vão dar ao Campo do Castelo onde decorre a V edição do Festival Gastronómico do Bife do Espadarte.

Para além da novidade deste ano que é o arroz de espadarte, os comensais terão à sua disposição o famoso bife de espadarte, os filetes, a chorinha que é uma sopa de espadarte, o espadarte de cebolada, que é uma receita dos pescadores de Vila Praia de Âncora e a caldeirada.

A pensar no publico mais jovem, não vai faltar o hambúrguer de espadarte e para entrada delicie-se com uma vinagreta que é de comer e chorar por mais…

Acerca de

Cidália Aldeia

Chefe de Redação