Em 30 Abril, 2018 Por Em Opinião

Tragam, por favor, a Extinta Ponte Eiffel do Rio Âncora!

Caríssimos concidadãos do Alto Minho; desde há algum tempo atrás tomamos conhecimento do «desaparecimento» da Ponte Eiffel que permitiu por tantos anos dar continuidade à Linha do Minho “galgando o Rio Âncora”, para que os Comboios seguissem o seu percurso mais para Norte, tendo a Ponte Eiffel sido votada ao «desprezo».
Quer-nos parecer que existe neste caso uma incompreensão muito grande relativa a essa infraestrutura retirada do seu leito de origem, e que pelo que pudemos apurar, se encontra abandonada entre ervas e arbustos, de uma empresa de candeeiros – a DAEL – mais ou menos situada entre a cidade de Braga e a Póvoa de Lanhoso. Encontramos por diversas vezes referência de alguns cidadãos que ainda se preocupam com estas questões cá do burgo, a quem lhes custa ver o seu Património Cultural – tão rico em História – em Símbolos – em Valores, dir-se-ia, até mesmo impregnado de afetos – ser descartado como um qualquer objecto cuja fecundidade anunciasse esse destino.
Tomamos conhecimento dessa realidade que tanto nos entristece, sabendo da importância que os Caminhos de Ferro tiveram para um país que hoje, e ao contrário da época da sua génese, têm perdido os seus valores junto das comunidades, mas sobretudo junto dos representantes que o povo elege para dirigir os destinos de cada região ou comunidade, sempre na certeza de que se zele pelo bem comum, pelo nosso Património Cultural, pelo desenvolvimento socioeconómico, pela coesão social, no fundo, pelo futuro das gerações vindouras. A memória histórica afigura-se como elemento decisivo na construção de tomadas de decisão, bem como na estruturação mental, psicológica de cada membro da nossa sociedade. Neste sentido não poderíamos deixar de trazer a lume este lamento, fazendo um apelo ao povo, mas sobretudo aos decisores políticos, que tragam de volta a Ponte Eiffel que atravessava o afamado Rio Âncora, e que foi votada ao desprezo há mais de duas décadas (desde 1989), sem que alguém lhe consiga dar um fim digno, mais não seja, colocar essa infraestrutura em local de sociabilização das comunidades locais, para que estas possam fruir desse Património Cultural – Industrial, que tal como referido, encerra múltiplos valores, e cuja capacidade pedagógica (quando bem orientada) é quase ilimitada, para não glorificar o Turismo que tanto está em voga, e no qual a Ponte Eiffel se enquadra na sua vertente Cultural – tão potenciadora das economias locais – fomentando a coesão regional. Não será certamente do conhecimento comum que essa Obra pertence à Casa que arquitetou a Torre Eiffel de Paris, Obra de um dos mais importantes vultos da engenharia do século XIX, que não só nos legou inúmeras Obras em Portugal, como a Ponte Maria Pia, na cidade do Porto, a Ponte Eiffel sobre o Rio Lima, em Viana do Castelo, bem como Obras um pouco por todo o país, como sobre o Tâmega, sobre o Cávado, em Barcelos, onde infelizmente aconteceu o que não gostaríamos de ver acontecer com a Ponte Eiffel do Rio Âncora – tendo como destino a sucata. Isto sucedeu na Extinta Ponte Eiffel de Barcelos – nunca mais lhe colocaremos os olhos em cima.
Os jornais, como este que o leitor faz questão de consultar, são desde alguns séculos atrás um meio de difundir o pulsar das terras e das suas gentes, servindo também como difusores de alertas das comunidades, dos cidadãos. Por essa via, e como Alto Minhoto que sou, investigador em Património Industrial, Turismo e Cultura, não poderia deixar de endereçar a todos quantos leem este artigo que se indignem com estas coisas, e façam com que a Ponte Eiffel do Rio Âncora volte pelo menos à localidade, seja dada novamente aos seus «legítimos» proprietários, cumprindo o fim maior; tornando-se ubíqua na paisagem urbana dessas comunidades de Vila Praia de Âncora.
Alexandre Gustave Eiffel deixou-nos um legado Patrimonial imensurável, como as Pontes Eiffel deste país que ainda resistem aos novos paradigmas do século XXI, revigoradas e repletas de valores, legou à humanidade avanços enormes na engenharia, não apenas na engenharia civil, como também na aeronáutica, com o seu primeiro laboratório de aerodinâmica, etc., trata-se de dar a conhecer às crianças, aos nossos jovens, e aos idosos um Património de elevado valor, seja na construção de futuros génios (porque os temos em Portugal) – seja na construção estrutural intelectual das gerações mais jovens, seja na elucidação de muitos que não puderam nunca estudar e aprender a História do seu país – tão farta e fecunda.
Sabemos que o Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Âncora, António Brás, durante muito tempo procurou a infraestrutura pela região minhota, acabou por encontrar a Ponte Eiffel nos terrenos da DAEL, tomando algumas diligências junto da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso no sentido de recuperar para a autarquia de Âncora essa infraestrutura. Atitude nobre e muito louvável, mas que esbarrou com a impossibilidade de trazer a dita Ponte Eiffel para as suas comunidades devido a problemas burocráticos próprios da política portuguesa, conforme notícia publicada na página da Rádio Renascença na Internet.
Por tudo o que aqui explanamos a esse respeito, apelamos aos cidadãos em geral, sobretudo aos de Âncora, que se unam no sentido de encontrar uma solução para trazer de volta a Ponte Eiffel, uma vez que o Sr. Presidente está em linha com as nossas inquietudes, e que as autoridades competentes tomem também elas uma posição nesse sentido, sob pena de se abstraírem daquilo que é importante para o país.

Rui Manuel Marinho Rodrigues Maia
Licenciado em História pela Universidade do Minho

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Cidália Aldeia

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