Em 14 Novembro, 2013 Por Em Editorial

Mais do mesmo…

Mais emprego. Foi a bandeira que Miguel Alves içou mais alto para ganhar as últimas autárquicas em Caminha. E bem. Afinal é o problema mais grave do município da foz do Minho, de Portugal e da Europa. É o desafio maior. Aquele que requer mais atenção e o tal pensamento estratégico.

Obriga a definir já em que sectores é necessário intervir, no curtíssimo prazo do estado de graça política que vivemos, que não existe para comerciantes que fecham portas, empresas insolventes e investidores que vão embora.  São estes os geradores de riqueza local, que importa não perder, a quem temos que agarrar com as  melhores condições ao exercício das suas actividades, através da capacidade de decisão que demos aos nossos políticos em eleições democráticas. Foi para isso que os elegemos. Caso contrário, teremos mais desempregados mesmo antes de criar condições para mais emprego.

É preocupante o encerramento de tantos estabelecimentos no centro histórico de Caminha, cada vez mais triste, desorganizado e deprimido. Da emblemática pastelaria Docelândia, que um dia já foi um dos nossos maiores cartões visita, que defendeu a nossa identidade em doces de excelência e ambiente requintado. O terreiro às escuras ao fim do dia desde a mudança da hora, pondo em causa a segurança bens e pessoas, em total desrespeito pela actividade comercial, perante a indiferença da EDP e da autarquia a escassos metros. As AEC das nossas crianças que só começam no próximo mês, atrasadas por causa das eleições, que puseram em pausa um município já parado desde o início de Setembro. É mau demais  para ser verdade! Temos de aguentar ou é preciso reagir?

É evidente que este declínio não é da responsabilidade das três semanas de governação de Miguel Alves. Mas é sua responsabilidade dar um sinal claro de que vai haver mudança. E isso ainda não aconteceu.

Antes pelo pelo contrário. Fez questão de demonstrar que há actuações que não mudam, no PSD e no PS, quando são poder e que são afirmadas logo nos primeiros quinze dias de governação. Para que não restem dúvidas. É o caso a admissão de mais pessoal ou avenças. É endémico, o que atira Portugal para o charco.

A testemunhar este mau hábito está o regresso de Maria Rosa Sampaio, ex-assessora do Gabinete de Comunicação da autarquia caminhense nos mandatos de Valdemar Patrício e Júlia Paula Costa, depois dispensada em 2009, supostamente para reduzir despesa. É que a assessora, à época, ganhava em regime de avença 2500€ por mês, funções que acumulava com a assessoria de imprensa que ainda mantém actualmente na Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira. Hoje, não sabemos em que condições foi ou será contratada. O jornal Caminhense fez esta pergunta ao novo presidente sem resposta até à hora do fecho desta edição. Aguardamos, em nome da tão apregoada transparência.

Caminha não votou PS, votou numa lista que prometeu não dar mais do mesmo.

Os eleitores, que aqui no dia 29 de Setembro contrariaram a taxa de abstenção nacional, estavam cansados das políticas de emprego dos anteriores executivos, PS e PSD, pouco inovadoras e tão portuguesas, de todos levar para a Câmara Municipal. Sem critério, para estágio, para o quadro ou por avenças. Apenas contribuindo para aumentar mais e mais a despesa corrente da autarquia, inviabilizando investimento necessário noutras áreas, cujo retorno e crescimento económico seria imediato. É o caso do turismo, afinal a nossa natural vocação, não por opção estratégica, infelizmente, mas porque a mãe natureza assim o decidiu. Foi aliás este sector que fez diferença positiva ao criar 43,8 mil postos de trabalho entre Abril e Setembro em Portugal. Para voltar a baixar a taxa de desemprego, agora fixada em 15,6%, segundo dados divulgados pelo INE. É obra. Da iniciativa privada, do brio e da fibra das nossas gentes que resistem.

Destes primeiros dias de mandato, fica a desilusão para muitos caminhenses de que afinal os quase trezentos funcionários da “torre de marfim”, como Miguel gosta de designar, ainda não chegam. Fica também a contradição: Se os funcionários municipais têm “excelente capacidade técnica” para que são necessários mais, apesar do decréscimo da população no concelho? Fica ainda a herança triste do executivo anterior que lá deixou trinta e dois funcionários à experiência nas mais diversas áreas, da Comunicação ao estaleiro, para que Miguel possa escolher, sem necessidade de contratar. Ficaram assim instaladas as aparelhites anteriores que têm pavor de enfrentar o mercado real de trabalho, tal é a confiança nas suas competências. Têm razão. Cá fora é duro.

Temos dois países em Portugal, em confronto. O Estado que faliu e teima em não reduzir despesa corrente e a economia que não faliu mas que não pode cortar mais à despesa. Porque desaparece.

Publicamos, ao abrigo do direito de resposta, o seguinte texto que nos foi enviado por Maria Rosa Caldeira Sampaio:

DIREITO DE RESPOSTA

1 – O Caminhense publicou um editorial que refere o meu nome, atribuindo-me uma situação relativamente à Câmara que é falsa;

2 – Sugere-se uma mentira: nunca houve vínculo individual, mas contratos de prestação de serviços com a empresa de que sou sócia-gerente;

3 – O termo “assessora” é impróprio e incorreto;

4 – A minha empresa presta serviços, através de relações comerciais transparentes, com a mesma legitimidade de outras, como as de que é comproprietária e sócia-gerente a autora do textos. “Herdeiros de António José Guerreiro Cepa” (editora do Caminhense) e “Rádio-Jornal Caminhense, Lda”;

5 – Estamos no mercado (“cá fora”) sem complexos e há muitos anos;

6 – O termo “aparelhites”, sugerindo “favor” político, é completamente desajustado e ridículo;

7 – Sou empresaria e professora universitária, com doutoramento realizado, nunca me tendo acomodado seja ao que for;

8 – É mentira que recebesse em 2009 uma avença de 2.500,00€;

9 – Ignoro se a Câmara conserva os registos de 2009 ou se desapareceram durante os “apagões” de há meses atrás;

10 – Nós temos registos e estão ao dispor da autora do texto, caso os queira consultar;

11 – Na altura, a Câmara possuía uma técnica de comunicação e um designer, além de uma estagiária;

12 – Não tendo conhecimento de contratos individuais, exceto os que se encontram sob investigação da Polícia Judiciária;

13 – Em 2009 a Câmara contratava uma empresa de Comunicação de Lisboa, alegadamente também para “Assessoria de Comunicação e apoio à Organização de eventos”, gastando mais de 70.000,00€;

14 – Acrescia outra para “Análise Crítica de eventos culturais do desporto e do lazer”;

15 – Falar em “Mais do mesmo” é, no que a mim se refere, abusivo e despropositado e fere o Código Deontológico dos Jornalistas, designadamente quando afirma. “O jornalista deve relatar os factos com rigor e exatidão e interpretá-los com honestidade”.

Caminha, 20 de novembro de 2013
Maria Rosa Caldeira Sampaio

Acerca de

Elsa Cepa

Administração | Chefe de Redação

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