Em 30 Outubro, 2018 Por Em Não Catalogada, Opinião

“Halloween” e “Mês das Almas”

Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar “Todos os Mártires”. Três séculos mais tarde o Papa Bonifácio IV (†
615) dedicou a “Todos os Santos” o panteão romano. Com o passar dos séculos passou a celebrar-se a solenidade de “Todos os Santos” no dia
1 de novembro. Como festa grande, esta também ganhou a sua celebração vespertina ou vigília, que prepara a festa no dia anterior (31 de
outubro). Na tradução para o inglês, essa vigília era chamada All Hallow’s Eve (Vigília de Todos os Santos), passando depois pelas
formas All Hallowed Eve e “All Hallow Een”, até chegar à palavra atual “Halloween”.
A celebração do 31 de Outubro vem sendo ultimamente promovida por diversos grupos “neo pagãos”, e em alguns casos assume até mesmo o caráter de celebração satânica e ocultista. No cinema, Hollywood
contribui para isso com vários filmes ao longo das últimas décadas: este ano fomos brindados com mais um filme “Halloween”, nas salas a
partir de 25 de outubro. Outro exemplo do gosto pelo horror é a tão popular série televisiva “The Walking Dead”, estreada no dia 31 de
outubro de 2010, que vai já na nona temporada. A ligação desta “festa” com o mal e com o ocultismo comprova-se também pelo fato de que na
noite do 31 de outubro se realizam em muitos lugares missas negras e outras reuniões deste tipo.
O dia 1 de Novembro inicia o “Mês das Almas”, tão devotamente vividoem tantas Comunidades Paroquiais, com as visitas ao cemitério mais
intensas, com a festa das Almas do Purgatório, chamada “Jubileu das Almas”, em que as pessoas em cada Paróquia são chamadas à conversão,
através do sacramento da Penitência celebrado em todas as igrejas
paroquiais, o ofício solene de laudes ou vésperas cantado pelos sacerdotes, os emotivos sermões das Almas do Purgatório, o despertar
cedinho do dia 2, Comemoração dos Fiéis Defuntos, em que as celebrações eucarísticas começam antes do raiar do sol…
Nas Paróquias a que Cristo me chamou a ser Pároco, assim como em tantas e tantas outras, há uma profunda vivência deste mês, com imenso
dinamismo promovido pela piedade e devoções católicas e pela solidariedae comunhão entre os seus habitantes.
Deve haver sempre o cuidado e sensibilidades pastorais para que os actos organizados e apoiados pelos católicos não ofendam algumas
sensibilidades: o fantasma que possa “vaguear” pelas ruas pode ser visto como a alma do pai de alguém que já morreu… o morto vivo que
anda a pedir “doçura ou travessura”, vivendo uma tradição que não é nossa, pode ser vista como sendo a mãe falecida que vagueia por aí… as
“alminhas” são pessoas santas que, após a morte, se preparam para entrarem na vida plena do Céu, pelo que, na minha óptica, não fica bem
usar as “alminhas” para festas ou sustos e gritos de meia noite!
Noutras alturas do ano, como no carnaval, por exemplo, as mesmas máscaras podem não ter o impacto que têm nesta altura! Sei que
interessa ao comércio, pois esta é uma época “baixa” para as trocas comerciais, mas nem tudo está à venda! O que é sagrado para nós não se
vende por preço nenhum! Esta é uma quadra de serenidade e paz que as pessoas procuram para si e (para quem professa a fé católica) para os
que partiram à nossa frente. Comungo perfeitamente da distinção entre o civil e o religioso, mas os “civis” são “religiosos” e é em nome da
sensibilidade católica que me pronuncio.

P. Paulo Emanuel

Acerca de

Cidália Aldeia

Chefe de Redação