Em 25 Janeiro, 2019 Por Em Caminha, Política

Deputada Liliana Silva quer ponte entre Caminha e A Guarda na agenda da próxima Cimeira Luso Ibérica

Prometeu e está a cumprir. Quando soube que ia assumir o cargo de deputada na Assembleia da República a vereadora e deputada Liliana Silva disse que uma das suas prioridades seria lutar por uma travessia eficaz entre Caminha e a margem galega e é isso que está a fazer.

A necessidade de uma ligação transfronteiriça viária entre Caminha e La Guardia, na Galiza, defendida desde sempre pela deputada Liliana Silva, foi colocada ao Primeiro Ministro António Costa.

Foram vários os argumentos utilizados para fundamentar a pergunta e preocupação relativamente a esta situação por forma a sensibilizar o governo para a necessidade de olhar para Caminha como um concelho de futuro e com futuro, mas que necessita de um impulso forte que passa também por esta tão desejada travessia viária internacional.

Com a cimeira Luso Ibérica agendada para o próximo mês de julho, na cidade da Guarda, Liliana Silva mostra-se preocupada com o tecido económico de Caminha que, considera, “tem vindo a definhar-se de ano para ano”. Pela frente tem o vizinho concelho galego de La Guardia, mas sem qualquer ligação viária para travessia do rio Minho. “Uma separação física estando a ser completamente desaproveitada as potencialidades desta geolocalização”, apontou Liliana Silva na certeza de que uma travessia viária poderá trazer mais investimento a Caminha.

Liliana Silva já tinha levado o assunto à colação diversas vezes e prometera levá-lo até Lisboa. Esta solução foi sempre qualificada como irreal pelo presidente da Câmara Miguel Alves (PS), em diversos momentos.

“A cimeira do próximo mês de julho deve ser aproveitada para se discutirem assuntos relacionados com todos os concelhos fronteiriços, por forma a fomentar o desenvolvimento económico e turístico de ambos os países”, defende Liliana Silva. “Sem qualquer travessia viária para a outra margem, este concelho tem visto grandes investidores, com capacidade efetiva de criação de emprego, a optar por concelhos vizinhos como Valença, Monção ou Cerveira”, lamenta. “O concelho de Caminha com a sua ligação à A28 e com capacidade para albergar, com os devidos apoios, grandes indústrias, não tem tido capacidade de atratividade muito por via da falta de uma ligação transfronteiriça viária que permita trocas económicas de grande dimensão”, considera.

De forma mais cirúrgica, a deputada social-democrata elencou vários interesses para a construção desta travessia. Iniciou desde logo pela economia, com a proximidade à A28, onde existem várias zonas empresariais. “Apenas nos falta a ligação transfronteiriça viária que permita esse escoamento e trocas comerciais com a Galiza”.

Liliana Silva aponta Caminha como um ponto de referência no turismo luso espanhol. A travessia ainda é feita através de um ferryboat “sujeita a marés por via do assoreamento constante do Rio Minho, limitando assim o aumento que seria possível, de turistas a este concelho”.

Mas a deputada do PSD vai ainda mais longe. Na fé de que a travessia se torne uma realidade, Liliana Silva lembrou que Caminha faz parte da rota dos Caminhos de Santiago, que têm visto o número de peregrinos aumentar de ano para ano. “Só que os peregrinos ficam sempre sujeitos ao horário do ferryboat para prosseguirem viagem, com a condicionante grave de à segunda feira o mesmo se encontrar parado para descanso da tripulação”.

Liliana Silva quer colocar ponto final a todo este cenário. “É tempo de deixarmos de ver esta ligação fronteiriça como uma miragem para aquela população. Está na altura de darmos o impulso que o concelho de Caminha merece e que irá favorecer todo o Alto Minho, tornando-o numa das regiões mais competitivas do País”, refere. Por outro lado, sublinha a deputada, “é necessário acabar com os desequilíbrios entre concelhos em termos de ligações internacionais, uma vez que Caminha é o único concelho sem ligação viária ao Norte de Espanha e isso tem-se refletido num definhamento e retrocesso económico deste concelho”.

De referir que a ligação mais antiga entre o Minho e a Galiza remonta a 1885, quando foi inaugurada a ponte rodoferroviária que liga Valença e Tui. Só em 1995 surgiu uma outra nova ponte a ligar Monção a Salvaterra do Minho. Quatro anos depois, Melgaço outra travessia a ligar Melgaço a Arbo.

O primeiro estudo de viabilidade para ligação transfronteiriça entre Caminha e La Guardia remonta a 2008. Foi liderado por especialistas da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

 

 

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Cidália Aldeia

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