Em 9 Agosto, 2017 Por Em Empreende +, Podcasts, Rubricas - Artigos

“Canto do Lobo”: o resultado de duas paixões

 

 

É um projeto que se concretiza ao fim de dois anos e junta duas grandes paixões: de um lado, o gosto pela gastronomia tipicamente portuguesa e do outro, a paixão pela cerveja artesanal.
O “Canto do Lobo”, situado no nº 125 da Rua Direita, mesmo em frente ao Teatro Valadares, em Caminha, é um novo espaço onde os clientes são convidados a uma viagem pelo mundo dos sabores.
Abriu há menos de um mês pela mão de um jovem casal de empreendedores, Nuno Lopes e Sandra Amado que há muito vinham alimentando a vontade de avançarem com um projeto maior. O Empreende + convida-o a conhecer um pouco melhor este espaço que é já uma referência na gastronomia caminhense e um ponto de visita obrigatório para quem gosta de uma boa cerveja artesanal.

Formada em design, Sandra estava longe de imaginar que o seu futuro profissional iria passar pela restauração. Apesar de sempre ter gostado da cozinha, por influência das mulheres da família, nomeadamente a bisavó, a avó e a mãe, a quem elogia os dotes culinários, não era por aí que pensava ir.
Mas como diz o povo, o mundo dá muitas voltas e a falta de oportunidades na área de formação obrigou Sandra a enveredar por outros caminhos.
A ideia, que já vinha sendo desenvolvida há alguns anos, era criar um projeto conjunto que fosse interessante para o casal.
Acabou por voltar à escola para tirar o curso de Gestão e Produção de Cozinha na Escola de Hotelaria de Viana do Castelo.

“A nossa ideia desde o início foi criar um projeto que fosse interessante para ambos. Eu direcionei-me para esta área da gastronomia e o Nuno para as cervejas artesanais e o projeto acabou por surgir naturalmente, resultando na criação de uma cervejaria com petiscos. Esse é o nosso foco principal”.

Outra das apostas do Canto do Lobo é a cozinha vegetariana, um mercado que Sandra Amado garante ter cada vez maior procura por parte dos consumidores.
Mas o forte da cozinha do Canto do Lobo são mesmo os petiscos tipicamente portugueses aos quais Sandra faz questão de dar um toque de contemporaneidade.

“Apesar de estarmos a falar de petiscos que à partida nos remetem para coisas mais simples, eu julgo que podemos trabalha-los ao pormenor resultando daí coisas muito interessantes capazes de despertar os vários sentidos. No fundo, aquilo que eu quero dizer é que das coisas simples se podem criar coisas com complexidade mantendo-lhe a genuinidade do sabor”, explica.

O “Canto do Lobo” é um projeto que demorou cerca de dois anos a materializar.

“Ele há muito que estava na nossa cabeça mas a sua materialização só foi possível há cerca de dois anos. O projeto passou por uma série de processos e avaliações que levaram o seu tempo. Apesar de ser um projeto a dois, meu e do Nuno, ele acabou por ter a influência de pessoas que desde o início acreditaram nele e isso para nós foi muito importante. Estou a falar da família, dos amigos, do arquiteto, da construtora, dos operários que aqui estiveram a trabalhar, enfim muita gente que acreditou e que para nós acabam por fazer parte deste projeto”, conta.

Mas voltando à cozinha, Sandra Amado aposta sobretudo nos produtos biológicos, no entanto admite que nem sempre é fácil consegui-los. Para isso tem estabelecido algumas parcerias com produtores locais que lhe fornecem alguns produtos.

“A verdade é que nem sempre é fácil conseguimos encontrar boas parcerias em termos de fornecedores de frescos como por exemplo os legumes e as frutas. Eu posso-lhe dizer que ainda não consegui um produtor para me fornecer fruta biológica, por exemplo. Estou à procura e sei que um dia destes ele vai aparecer. Tentamos sempre que possível que os produtores sejam do concelho ou, no máximo do distrito para criarmos aqui algumas sinergias. É evidente que se não houver teremos que alargar a procura, mas sempre que possível damos prioridade ao que é nosso”, garante.

A aposta nas ementas sazonais é outra das particularidades do Canto do Lobo, como explica Sandra Amado.

“A ideia é adaptarmos a ementa a cada época do ano o que faz com que a carta esteja constantemente a ser alterada e o que se come esta semana possa ser diferente na próxima”.

Atrás do balcão, Nuno Lopes dá-nos algumas dicas sobre a diversidade de cervejas que os apreciadores podem degustar no Canto do Lobo.

“Temos uma grande variedade de cervejas artesanais, nacionais e estrangeiras. Trabalhamos apenas com micro cervejarias porque são cervejas que não são produzidas de forma industrial e porque acreditamos que o produto final também é melhor. São cervejas produzidas com muito empenho por parte dos cervejeiros”.

No canto do Lobo é possível encontrar cerveja portuguesa, dinamarquesa, inglesa e americana, para vários gostos. Nuno Lopes teve em tempos uma experiência na fabricação de cerveja artesanal, uma experiência que não foi além de um hobby, mas que lhe garantiu alguns conhecimentos para hoje poder dar algumas sugestões aos clientes menos entendidos na matéria.

“Sou fascinado pelas IPA’s e em tempos também me dediquei um pouco à fabricação da cerveja. É um hobby muito giro, uma espécie de paixão”.

O Artbeerfest, Festival de Cerveja Artesanal que se realiza todos os anos em Caminha, contribuiu para que esta paixão do Nuno se tornasse ainda muito maior.

“Quando me propus avançar com este projeto falei com os promotores do Artbeerfest que me apoiaram e deram oportunidade de trabalhar com eles, colaborar e conhecer cervejeiros de todo o mundo e tudo o que está ligado à cerveja artesanal.”

Avançar com o projeto, que implicou um investimento de cerca de 100 mil euros, não foi fácil. Sandra Amado diz que faltam apoios e a burocracia é tanta que às vezes até da vontade de desistir.
Mas apesar do percurso difícil e tortuoso esta dupla recusou-se a desistir e o “Canto do Lobo aí está, à espera da sua visita para um bom petisco acompanhado de uma boa cerveja artesanal.

Quanto à ementa deixamos aqui algumas sugestões:

      

Para quem não come carne, a sugestão vai para um hambúrguer vegetariano ou um gratinado de legumes. Para os que se deixam tentar pela carne sugerimos a costela lentamente portuguesa ou um ensopado de beef borguignon. Para acompanhar batata doce frita e para sobremesa um semifrio. A tábua Canto do Lobo ou as amêijoas lusitanas também pode ser uma boa opção para acompanhar com uma boa cerveja.

O horário de funcionamento é de segunda a sábado das 12 às 15 e das 19 às 03 e aceita reservas.

Tags : ,

Acerca de

Jornal C